SERÁ
O FANTASMA DA MÃE?
No
decorrer do atendimento deste caso clínico que passo a relatar, enfatizo a
seguinte questão: Será que se trata é do fantasma da mãe?
Pedro
é uma criança com história de agressividade. Quando questionada como é essa agressividade,
a mãe responde: “Pedro fala a mesma altura”, isso porque segundo ela “ele
convive só com adultos”. Conclui-se dessa fala que os adultos com os quais
Pedro convive são agressivos.
Separou-se
do pai de Pedro quando ele tinha três meses, desde então mora com sua mãe. Ela
trabalha o dia todo, Pedro fica por conta da avó que não gosta do pai de Pedro.
“fala para o neto que o pai dele não presta, é preto, alcoólatra”. Tenta
convencer Pedro de que seu pai verdadeiro é o padrinho”, tanto que na sessão
seguinte quando é falado sobre o pai, ele pergunta, “Qual pai?”
A
mãe não concorda, no entanto se cala (com o que a avó diz do pai de Pedro).
Acha
que o filho tem o direito de conhecer o pai, porque ainda não o conhece.
Segundo ela, “ele não está preparado”. Contudo, Pedro diz “se me levarem para
conhecer meu pai, vou preparar uma boa para ele”.
A
mãe tem uma preocupação em querer separá-lo das “más influências”, tem medo do
que a sociedade possa levá-lo a ser.
Quer
que ele saiba diferenciar “o bem do mal”, para se proteger. De quem realmente
esta mãe quer que Pedro se diferencie e se defenda? Será que não é desta trama
familiar, da qual ela mesma está inserida?
O
fantasma é uma estrutura articulada numa lógica do fantasma é interrogar, de
forma permanente, a estrutura do campo do outro, a estrutura do significante a
função de corte nessa estrutura. (1)
Pedro
usa dos brinquedos para dizer da fantasia e do tipo de vivência e experiência
pela qual está passando. É o que ele consegue produzir.
Nas
brincadeiras ele se transforma em personagem que se transforma em robô. “O
monstro não pode me machucar se não o personagem me bate”.
Pedro
usa o brinquedo para tentar produzir um significante que o retire dessa
alienação ao significante dito pela mãe.
A
brincadeira permite ao sujeito trazer os fragmentos do fantasma materno. Nas
brincadeiras ele se defende do bem e do mal. Ele é as duas coisas ao mesmo
tempo. Contudo, é preciso que o sujeito atravesse o fantasma do Outro, se
desvencilhando do lugar que ocupa nesse fantasma.
E
continua a pergunta: Será que se trata é do fantasma da mãe? É possível que a
retificação subjetiva da mãe.
“Mas
após esta descrição do caso, chego a conclusão baseada, em Lacan, que assim,
como adulto a criança pode fazer sua construção fantasmática no espaço
analítico, basta que se solte das correntes do fantasma do Outro que o prende.
Isso não é brincadeira”.
Psicóloga,
Marlene Monteiro de Oliveira.
Nota:
1) VIDAL, Eduardo A.
Sobre o fantasma. Livro: Direção da Cura.
1.SCHREIBER, Charles. La Funcion Paterna como sintoma
analítico em um mino.
2. DOR, Joel. O Pai e sua função em psicanálise.

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