sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Psicologia - Programação Neurolinguística

SERÁ O FANTASMA DA MÃE?

No decorrer do atendimento deste caso clínico que passo a relatar, enfatizo a seguinte questão: Será que se trata é do fantasma da mãe?
Pedro é uma criança com história de agressividade. Quando questionada como é essa agressividade, a mãe responde: “Pedro fala a mesma altura”, isso porque segundo ela “ele convive só com adultos”. Conclui-se dessa fala que os adultos com os quais Pedro convive são agressivos.

Separou-se do pai de Pedro quando ele tinha três meses, desde então mora com sua mãe. Ela trabalha o dia todo, Pedro fica por conta da avó que não gosta do pai de Pedro. “fala para o neto que o pai dele não presta, é preto, alcoólatra”. Tenta convencer Pedro de que seu pai verdadeiro é o padrinho”, tanto que na sessão seguinte quando é falado sobre o pai, ele pergunta, “Qual pai?”
A mãe não concorda, no entanto se cala (com o que a avó diz do pai de Pedro).

Acha que o filho tem o direito de conhecer o pai, porque ainda não o conhece. Segundo ela, “ele não está preparado”. Contudo, Pedro diz “se me levarem para conhecer meu pai, vou preparar uma boa para ele”.
A mãe tem uma preocupação em querer separá-lo das “más influências”, tem medo do que a sociedade possa levá-lo a ser.
Quer que ele saiba diferenciar “o bem do mal”, para se proteger. De quem realmente esta mãe quer que Pedro se diferencie e se defenda? Será que não é desta trama familiar, da qual ela mesma está inserida?

O fantasma é uma estrutura articulada numa lógica do fantasma é interrogar, de forma permanente, a estrutura do campo do outro, a estrutura do significante a função de corte nessa estrutura. (1)
Pedro usa dos brinquedos para dizer da fantasia e do tipo de vivência e experiência pela qual está passando. É o que ele consegue produzir.
Nas brincadeiras ele se transforma em personagem que se transforma em robô. “O monstro não pode me machucar se não o personagem me bate”.

Pedro usa o brinquedo para tentar produzir um significante que o retire dessa alienação ao significante dito pela mãe.
A brincadeira permite ao sujeito trazer os fragmentos do fantasma materno. Nas brincadeiras ele se defende do bem e do mal. Ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Contudo, é preciso que o sujeito atravesse o fantasma do Outro, se desvencilhando do lugar que ocupa nesse fantasma.

E continua a pergunta: Será que se trata é do fantasma da mãe? É possível que a retificação subjetiva da mãe.
“Mas após esta descrição do caso, chego a conclusão baseada, em Lacan, que assim, como adulto a criança pode fazer sua construção fantasmática no espaço analítico, basta que se solte das correntes do fantasma do Outro que o prende. Isso não é brincadeira”.

Psicóloga, Marlene Monteiro de Oliveira.

Nota:

1) VIDAL, Eduardo A. Sobre o fantasma. Livro: Direção da Cura.
1.SCHREIBER, Charles. La Funcion Paterna como sintoma analítico em um mino.

2. DOR, Joel. O Pai e sua função em psicanálise.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seus comentários é de grande valia.