domingo, 5 de janeiro de 2014

OS EIXOS DO FILÓSOFO

Contam que Demóstenes era inicialmente gago. Para vencer essa deficiência, entre outros truques usou o artifício de ficar horas na praia falando em voz alta com a boca cheia de seixos até que se livrasse da gaguez. Acabou por tornar-se o maior orador da Grécia Antiga, constituindo sua proeza uma demonstração de que a persistência sempre funciona. Entretanto, foram anos de treinamento que o habilitaram a chegar aonde chegou. Hoje ele teria, talvez, frequentado um bom curso de Oratória e seu problema teria solução mais rápida e menos sofrida.

Semelhantes fatos levam muitos a pensar que para tornar-se um bom orador o indivíduo tem apenas que aprender certas técnicas relacionadas à postura, ao olhar e aos gestos adequados ao momento, bem como buscar uma dicção nítida em boa tonalidade de voz. Sem dúvida, esses detalhes são importantes, mas a raiz do problema daqueles que não sabem expressar-se em público vai muito além da mera aquisição de técnicas. O problema tem caráter emocional e deve ser resolvido por profissionais qualificados da Psicologia.

Todos nós nascemos com o direito divino de ser aquilo que desejamos, onde e quando o quisermos e, portanto, é direito nosso expressar nosso ser de maneira autêntica e natural. Lamentavelmente, desde o momento de nossa concepção começamos a ser afetados pelo ambiente que nos cerca, recheado de proibições e limitações que, quase sempre, são inculcados em nós em primeiro lugar por nossos pais e parentes mais próximos, a seguir pela escola e, depois, pela sociedade em geral, assim como pelas igrejas e outras instituições oficiais, no intuito de fazerem de nós seres “normais”.

As “normas”, em si, na sua maioria já são limitadoras. O modo como nos são transmitidas é pior ainda. Gritos, castigos, reprimendas humilhantes, violência física, ironias e outras armas dessa mesma natureza são utilizadas por nossos educadores com o propósito de nos fazerem homens e mulheres de bem. A intenção é ótima, mas as consequências são um desastre, visto que tais fatos ficam registrados em nosso corpo como memórias emotivas inconscientes, que afloram sempre que somos convidados a nos expressar em público. Nesse momento somos tomados de um acanhamento tão intenso que chega a manifestar-se até mesmo sob a forma de efeitos fisiológicos tais como suores frios, tremores, dores diversas e náuseas ou diarreia. Na melhor das hipóteses, a pessoa tem a sensação de que “lhe deu um branco”.

Para tornar-se um bom orador, o indivíduo tem que primeiro vencer esse estado de coisas. Tem que dar um mergulho no próprio inconsciente, buscando, bem lá no fundo, todos esses bloqueios sutilmente escondidos e, sob a orientação de um profissional da Psicologia devidamente habilitado e de comprovada experiência, expulsá-los de sua realidade. Só então estará pronto para receber as técnicas exclusivas da comunicação e da oratória. Só assim esses métodos surtirão efeito, pois a pessoa estará preparada para expressar-se em toda a sua plenitude, sem qualquer obstáculo.

Com recursos poderosos como os processos hipnóticos e de reprogramação Neurolinguística, toda carga emocional negativa que sempre travou nossa expressão é literalmente varrida de nossa mente, deixando-nos aptos a tornar-nos excelentes oradores, sem termos de correr o risco de inadvertidamente engolir uma das indigestas pedrinhas de Demóstenes.




*Marlene Monteiro é Psicóloga, Psicoterapeuta e Hipnóloga, Master e Trainer em PNL, com certificação internacional, e membro da Comunidade Mundial de Programação Neurolinguística.

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