Contam que Demóstenes era inicialmente gago. Para vencer
essa deficiência, entre outros truques usou o artifício de ficar horas na praia
falando em voz alta com a boca cheia de seixos até que se livrasse da gaguez.
Acabou por tornar-se o maior orador da Grécia Antiga, constituindo sua proeza
uma demonstração de que a persistência sempre funciona. Entretanto, foram anos
de treinamento que o habilitaram a chegar aonde chegou. Hoje ele teria, talvez,
frequentado um bom curso de Oratória e seu problema teria solução mais rápida e
menos sofrida.
Semelhantes fatos levam muitos a pensar que para
tornar-se um bom orador o indivíduo tem apenas que aprender certas técnicas
relacionadas à postura, ao olhar e aos gestos adequados ao momento, bem como
buscar uma dicção nítida em boa tonalidade de voz. Sem dúvida, esses detalhes
são importantes, mas a raiz do problema daqueles que não sabem expressar-se em
público vai muito além da mera aquisição de técnicas. O problema tem caráter
emocional e deve ser resolvido por profissionais qualificados da Psicologia.
Todos nós nascemos com o direito divino de ser aquilo que
desejamos, onde e quando o quisermos e, portanto, é direito nosso expressar
nosso ser de maneira autêntica e natural. Lamentavelmente, desde o momento de
nossa concepção começamos a ser afetados pelo ambiente que nos cerca, recheado
de proibições e limitações que, quase sempre, são inculcados em nós em primeiro
lugar por nossos pais e parentes mais próximos, a seguir pela escola e, depois,
pela sociedade em geral, assim como pelas igrejas e outras instituições
oficiais, no intuito de fazerem de nós seres “normais”.
As “normas”, em si, na sua maioria já são limitadoras. O
modo como nos são transmitidas é pior ainda. Gritos, castigos, reprimendas
humilhantes, violência física, ironias e outras armas dessa mesma natureza são
utilizadas por nossos educadores com o propósito de nos fazerem homens e
mulheres de bem. A intenção é ótima, mas as consequências são um desastre,
visto que tais fatos ficam registrados em nosso corpo como memórias emotivas
inconscientes, que afloram sempre que somos convidados a nos expressar em
público. Nesse momento somos tomados de um acanhamento tão intenso que chega a
manifestar-se até mesmo sob a forma de efeitos fisiológicos tais como suores
frios, tremores, dores diversas e náuseas ou diarreia. Na melhor das hipóteses,
a pessoa tem a sensação de que “lhe deu um branco”.
Para tornar-se um bom orador, o indivíduo tem que
primeiro vencer esse estado de coisas. Tem que dar um mergulho no próprio
inconsciente, buscando, bem lá no fundo, todos esses bloqueios sutilmente
escondidos e, sob a orientação de um profissional da Psicologia devidamente
habilitado e de comprovada experiência, expulsá-los de sua realidade. Só então
estará pronto para receber as técnicas exclusivas da comunicação e da oratória.
Só assim esses métodos surtirão efeito, pois a pessoa estará preparada para
expressar-se em toda a sua plenitude, sem qualquer obstáculo.
Com recursos poderosos como os processos hipnóticos e de
reprogramação Neurolinguística, toda carga emocional negativa que sempre travou
nossa expressão é literalmente varrida de nossa mente, deixando-nos aptos a
tornar-nos excelentes oradores, sem termos de correr o risco de
inadvertidamente engolir uma das indigestas pedrinhas de Demóstenes.
*Marlene Monteiro é Psicóloga, Psicoterapeuta e
Hipnóloga, Master e Trainer em PNL, com certificação internacional, e membro da
Comunidade Mundial de Programação Neurolinguística.
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